Resenha | Rogue One: Uma História Star Wars

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Thiago Suman

Com primazia, a Disney entregou um presente completo para os fãs do Universo Star Wars com o lançamento de Rogue One. Seja da maneira sensível que compôs amarras com os demais eixos da saga, seja pela coragem de arriscar uma história menor, mas muito bem elaborada, seja pela grandiosidade de mexer com as sensações de quem é apaixonado pelo contexto das guerras estrelares.

Foi sublime como colocou Vader num segundo – e condizente – plano, mas, imponente e temível como de costume. Inclusive, mais penetrantemente terrível do que n’outras passagens canônicas. Foi de muito bom gosto. A trilha de de Michael Giacchino é outra estupenda boa notícia. Ele consegue dar identidade pra esse recorte da obra, porém, mantendo a tessitura musical proposta pelo genial John Willians, nos embarcando pelas cortinas musicais ao cenário de sempre.

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O arrojo de retomar o passado, seja com tomadas dos anos 70, seja com a reconstrução digital de personagens, é um esforço hercúleo para dar fidelidade ao que se promete costurar. E o acabamento é perfeito. A composição do grupo integrante da missão Rogue One é de um bom gosto formidável. Vamos a eles:

Do grupo principal, me salta positivamente aos olhos, que não há um destaque de atuação ou a elaboração mais talhada de um personagem em especial, pois dá a ideia da unidade de grupo que essa página de Star Wars quis recriar. Jyn Erso (Felicity Jones) não é a líder da missão. Apenas nos envolvemos com a história pelo prisma dela. Cassian Andor (Diego Luna) é equilibrado em ombro a ombro no protagonismo da tarefa, mas não acarreta holofotes sobre o personagem. Erso não é apática, como Leia, nem destemida, como Rey. É parte importante do organismo coletivo (com seu papel funcional dentro da obra). Cassian está tateando a ser um Han Solo sem brilhatura.

Mais instigantes são: Chirrut (Donnie Yen) e Saw Guerrera (Forrest Whitaker) – enquanto personagens e seus estereótipos. Chirrut é um crente na “fé da Força”. Não é dotado dos poderes que ela aplaca, mas, norteado pela sua entrega espiritual, consegue fortificar sua participação no ambiente de resistência, superando a adversidade da cegueira. É a edificação dos valores da fé, sempre representado no universo das guerras – ainda que estrelares.

Já o personagem de Whitaker é o extremismo político e bélico em manifesto. Todo movimento de ruptura com o segmento dominante é louvável, mas passível de células que exacerbam suas ações em nome de causas que ficam difusas mediante ações intempestivas, doutrinárias, danosas e/ou exclusivas. Gerrera é o arquétipo que nos faz refletir sobre tempos atuais.

Galen Erso (Mads Mikkelsen), pai de Jyn, trabalha para o império, ainda que seja um apoiador da aliança rebelde. Trabalho forçado. Mão de obra escrava. Baze Malbus (Jiang Wen) é o fiel parceiro de Chirrut, embora descrente no poderio da força. Se converte. E isso também é sintomático no efeito de referencial ao que o mundo atravessa hoje em paralelo com as metáforas de Star Wars.

O droide K-2S0 mantém o tom bem humorado da trama, ainda que seja menos dócil e mais ativo em combate que R2, CR3P0 e BB8.

Os oficiais do Império e as tropas de Stormtroopers é que formam o contingente de “vilões” a serem batidos. Sem nenhum arquirrival em especial, tonificando mais uma vez a ideia de um cenário obtuso de guerra. Um campo de combate de duas oposições políticas; sendo uma, ditatorial e a outra, revoltosa, em que o campo de batalhas tomba soldados de ambas frentes, que apenas servem interesses de outrem – o típico paradoxo da guerra.

Uma das cenas mais bonitas de todos os filmes somados está em Rogue One. Nuances clássicos, novas reflexões, geração de mais sensações que esse universo nos entrega. Rogue One, enquanto obra isolada é muito bom. Como Spin-off de uma das maiores franquias de todos os tempos, é quase perfeito.

A Disney fez um golaço. Nós agradecemos.

Ficha Técnica

Gênero: Aventura
Duração:  133 min.
Origem: EUA
Direção: Gareth Edwards
Roteiro: Chris Weitz, John Knoll
Produção: Allison Shearmur, Kathleen Kennedy, Simon Emanuel
Fotografia: Greig Fraser
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Distribuidora:  Disney
Estúdio: Allison Shearmur Productions / Lucasfilm Ltd / Walt Disney Studios Motion Pictures USA
Censura: 12 anos
Ano: 2016

Trailer

THIAGO SUMAN
26 anos, natural de Porto Alegre, radialista, indicado cinco vezes consecutivas ao Prêmio Press de Jornalismo. Narrador e apresentador da Rádio Grenal, e também professor de filosofia dos cursos pré-vestibulares Fenix e Unificado. Como compositor, com 11 anos de trajetória, assoma mais de 100 registros em CDs, tendo sido consagrado vencedor do maior festival de música do Rio Grande do Sul, a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, em 2009. .

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