Fomentação Cultural

Oly Jr.

É uma pena que as resenhas jornalisticas, me atendo mais especificamente na área musical, tenham se perdido no tempo/espaço. Em um passado não muito distante a impressão que tenho é que existia um interesse maior em consumir e informar sobre shows, novidades artísticas, por parte do jornalismo cultural, e a vontade de escrever, refletir, e ajudar a formar um senso crítico na sociedade que eles estavam inseridos.

Esse tipo de fomentação cultural, através da crítica, ou de uma resenha, me ajudou muito na questão informativa, que é super importante numa sociedade e, de certa maneira, também me ajudou a formar um senso crítico e reflexivo, ao ler sobre discos e shows que já tinha visto e ouvido, fazendo paralelos entre o que percebi e me tocou, com a opinião de outro, assim como ajudava a atiçar a curiosidade do leitor interessado, sobre manifestações culturais, ainda não consumidas e às vezes até desconhecidos. Era uma espécie de ponte, elo, entre público e artista, que ajudava a despertar interesses, ou não, mas acima de tudo, era um exercício argumentativo, reflexivo, de leitura cotidiana, que quando inserido nos meios midiáticos, ajudava a formar um senso crítico espontâneo na comunidade.

Claro que isso é resultado de algumas mudanças sociais, como o aperfeiçoamento tecnológico e virtual, enclausuramento das pessoas, mercado fonográfico decadente e termos mercadológicos, banalizações de gêneros musicais… enfim. Poderíamos tentar formular teses e mais teses sobre o assunto, mas me parece que tudo se resume em: interesse. Será que público e jornalismo perderam o interesse de movimentar uma cultura de consumo e informação de conteúdos musicais? Ou é o conteúdo artístico/musical que não desperta mais o interesse popular e jornalístico? É claro que existem os guerrilheiros e resistentes, que ainda levantam bandeiras quase que solitárias, na promoção e na disposição em escrever sobre a cena musical de uma cidade, mas é infinitamente pouco perto do que se tinha antes, com menos tecnologia. Termino com duas perguntas para reflexão: seria a tecnologia e o progresso venenos para a capacidade intelectual de criar, fomentar e absorver conteúdos artístico/musicais? Qual seria o antídoto?

Até…

oly jr.

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