Tãn Tãngo: Prelúdio de Família

Foto: Diego Soares

Foto: Diego Soares

Thiago Suman

Hique é ponte que nos leva num corredor sobre águas. Sim, flutuar sobre a densidade transparente e remota de um espelho líquido é a sensação de quem sorveu o Tãn Tãngo no Theatro São Pedro! Saímos com pés e o espírito alagados!

É impressionante a forma como o HiperPampa concatena expressões que, apesar de serem da mesma família, muitas vezes, não dialogam por falta de mesa para sentarem e botarem papo em dia! Hique com “su tango” cumpre o papel patriarca de mediar a confraternização desse clã chamado arte.

Música, dança, poesia, artes plásticas, artes visuais, artes cênicas – todos filhos do mesmo pai! Por isso nosso* circense-tango-milongueiro-artista-universal escolheu um único padrinho para batizar sua prole: um abrangente e acolhedor amigo, o HiperPampa.

E o Hique e o Hiper chamaram mais gente pra confraternização das Artes. Assim é que convocaram os meio-irmãos do Rock de Galpão pra extensão da família. E eu? Eu sou agregado dessa família, me permito a transfusão sanguínea para ver fluir nas minhas veias o DNA HiperPampeano e assim vamos na crescente em nome dessa expressão artística global-regional.

CELEBRAÇÃO CÓSMICA

Uma ode ao universo chamado música. Assim defino Tãn Tango! E ao lado de Aldebarã e Andrômeda, orbitam temas, como: Brasilidadade (Hique tropicalizou ao caetanear-se e experimentar tendência original), latinidade (no passo platino e cortado do bandoneon), legalidade em tema pontual, inaudito, clássicos (não seria TANGO sem Por Una Cabeça) e, ainda, visita as páginas das estórias literárias do Bom Fim, através de Moacir Sclyar (que homenagem, Hique! Tu és o Centauro de outros jardins); nos fez, por fim, percorrer pela noite subversiva na Independência porto-alegrense.

CONVIVAS

Caetano, Ramil, Beatles e Piazzola: só um grande anfitrião recebe na casa-coração tão diversos (mas tão iguais) comensais da música sideral! E, na festa, Hique se ampara de uma infantaria pra fazer acontecer.

Começo pelo multi-insano virtuoso Felipe Lua, com uma cozinha recheada de sonoridade anímica; passo para as mãos místicas de Dunia Elias que preenchem o campo de força através da dolência pianística; Escorrendo pelas notas graves do Everson Vargas – que, no baixo acústico, mantém a “gravidade” em palco, é ele quem nos segura no chão na platéia (mas com pés batendo no contrapasso); por fim, o mago Maga. Cartlitto Magallanes é um alquimista e “su bandoneon” é encantamento. Magallanes é a alma do tango no Brasil.

Foto: Thiago Suman

Foto: Thiago Suman

POSLÚDIO DE FAMÍLIA

Pois, Hique, tu és o pai da família Arte e o filho do existencialismo musical. Que rica genética tu deixará de herança. Não te parabenizo pelo ofício riquíssimo e envolvente com o qual tu nos brinda. Te agradeço por ele! Ao ser pleno no palco, dos teus poros escapam plenitude e nós recebemos tal presente, embarcados contigo neste nirvana, neste magnetismo, neste afluente imaterial de ideias e sensações.

IMERSÃO MUSICAL

Permita-me, Hique, pois te coloco agora em posição, na pia batismal desse texto e te atribuo novo nome de agora em diante, e esse será tua designação, teu emblema: seja bem-vindo ao teu lugar, teu chão, teu mapa, Hique Hiper Tãn Pampa Tango Gomez! O mundo musiqueiro é teu pátio, tua bússola e tua caixa de pandora.

*Nota do autor: chamo Hique (Gomez) de nosso, pois ele é patrimônio cultural da arte produzia no Sul do continente. E se não o é por decreto, o é por legitimação coletiva da catarse que envolve a todos num ímpeto atemporal.

Colunista Thiago

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