Conversamos com Sidney Gusman, um dos maiores especialistas em HQs do Brasil

sidney gusman

(Imagem: Youtube/Quadrinhos para Barbados)

Luiz Paulo Teló

Em meados do mês de fevereiro, o jornalista Sidney Gusman esteve em Porto Alegre para participar de mais uma das tantas convenções sobre quadrinhos e cultura nerd da qual participa. O paulistano começou a escrever sobre HQs ainda em 1990, e acompanhou, desde então, o boom da industria geek, mas curiosamente a também diminuição do espaço dos quadrinhos nos jornais. Essa foi, evidentemente, uma das pautas.

Agora, o que colocou de vez Gusman na lista dos nomes mais importantes dos quadrinhos nacionais foi o convite para trabalhar com Maurício de Sousa, há dez anos, e propor um novo tipo de conteúdo aos velhos (e novos) leitores da Turma da Mônica. Na condição de editor, Sidney criou projetos inovadores, como os selos MSP 50 e Graphic MSP, trazendo novos autores para dentro da editora, revisitando e dando outro traço a personagens clássicos, assim fisgando um público mais adulto e resgatando quem não lia mais quadrinhos desde a infância.

Além de trabalhar na Maurício de Sousa Produções, Gusman segue como editor-chfe do importante portal Universo HQ, mas ressalta: “Hoje eu não resenho mais nada, não escrevo mais notas, desde que virei editor na Maurício de Sousa Produções, não posso ser estilingue e vidraça ao mesmo tempo”. Confira como foi o papo.

Culturíssima: Você conhece bem Porto Alegre? Como é o público consumidor de quadrinhos aqui?

Sidney Gusman: Conheço Porto Alegre razoavelmente. Acho que deve ser, sei lá, a oitava vez que vim pra cá. Ano passado fui até homenageado na Comic Con RS [realizada em Canoas]. Cara, sou muito suspeito pra falar. Cada vez que falo “estou indo para Porto Alegre”, é um exercício ter que equilibrar o tanto de convite que tenho para almoçar e jantar. Tenho muito contato com fãs e autores, e todo mundo quer me encontrar. E, assim, tem um público leitor muito grande, até porque é um polo de produção muito tradicional no Brasil, tem muito artista bom aqui, então por isso a gente acaba recebendo um carinho gigante. Com a Graphic MSP então, nem te conto! Realmente emocionante. O rapaz que veio almoçar comigo é um leitor, ficou meu amigo, me deu presente… É um barato, muito legal.

O público nerd/geek é muito fiel ao produto que ele gosta. Ele consome das mais variadas formas. Quando você começou a escrever sobre quadrinhos, esse mercado geek era tão forte assim?

Nem a pau. O leitor de quadrinhos é, por característica, um colecionador. Só que até 1990, ele era colecionador, no máximo, de quadrinho! Ou então álbum de figurinhas, alguns bonequinhos que saiam na época… Não se colecionava boneco. Depois, o bom vírus do colecionismo infectou as pessoas e a gente tem visto um número cada vez maior do que eu chamaria de seguidores. Hoje, eu sei fácil, fácil de milhares de colecionadores Graphic MSP, e agora que eles estão começando a descobrir os quadrinhos, o que para mim é maravilhoso. Esses caras eram única e exclusivamente leitores de Turma da Mônica, e a imensa maioria dos leitores de quadrinhos do Brasil só leem Maurício de Sousa. Só, não leem mais nada. As tiragens do Maurício são 10 vezes superiores a tiragem de qualquer outro no Brasil. Aí tinha um pessoal que simplesmente parava de ler. Aí o cara cresce e descobre que tem um louco fazendo quadrinho juvenil/adulto, e esse público então começou a se interessar a consumir o produto de outros autores nacionais, o que estou achando sensacional.

Como surgiu o convite de trabalhar na Maurício de Sousa Produções e a ideia do Graphic MSP?

Em 2005, passei o ano entrevistando ele, para o um livro chamado Maurício Quadrinho a Quadrinho, que saiu pela Editora Globo em 2006. Não é uma biografia, mas eu contava com ele como um editor de quadrinhos virou o que virou, um grande autor, empresário e tál. Mas não entrava em detalhes da vida pessoal, era apenas profissional. Da metade pra frente ele me pediu uma coisa que para o meu lado jornalista foi maravilhoso. Ele selecionou os 30 quadrinhos favoritos dele, e eu tinha quer fazer uma mini enciclopédia, com a citação dele sobre cada um.

Foi um barato fazer o livro. Aí quando lançamos, em uma sessão de autógrafos e uma palestra minha, que ele apareceu, e algum fã perguntou pra ele como tinha sido trabalhar comigo. O Maurício falou: “Ah, ele é um pesquisador muito sério, um cara dedicado, ama quadrinhos. E nós vamos fazer um monte de coisas juntos”. Aí quando terminou a palestra ele me chamou de lado e falou que queria criar uma área para eu criar produtos para ele. Então fui lá, ficamos de namoro uns tempos e fechei com ele. Já faz 10 anos que estou lá, e nesses 10 anos a gente fez bastante de coisa legal. Talvez a cereja do bolo hoje seja o Graphic MSP. Mas sou editor de todos os livros do Maurício. Ano retrasado lançamos 104 livros! Ao mesmo tempo que o Maurício quase não tinha penetração no mercado de livraria, quando entrei ele também não falava com leitor adulto de quadrinho. Aí 2009 ele ia fazer 50 anos de carreira, então criei o embrião da Graphic MSP que foi o projeto MSP 50, com 50 artistas que escolhi do Brasil inteiro, que faziam histórias curtas, com personagens do Maurício, mas com o traço deles. Aquilo fui sucesso de público e crítica. Fiz três versões. Quando estava no meio do projeto, a segunda saiu em 2010, falei para o Maurício que ali tinha um caminho para fazer graphic novel, e ele perguntou como assim? Escolho os autores, a gente faz histórias mais longas e pode até exportar. Não deu outra, foi o que aconteceu. Em 2012 começo o projeto Graphic MSP, com o Astronauta Magnetar [por Danilo Bayruth] e aí o resto é história, uma história que a gente está escrevendo ainda.

Muita gente conseguiu se projetar através desse selo. Você imaginava que isso aconteceria? E como conseguiu garimpar todos esse nomes?

Sim, imaginava que isso ia acontecer, pela repercussão que o MSP 50 havia tido. Falei para o Maurício que no final de cada MSP 50 haveria uma mini biografia de cada um, com o site de cada autor. A maioria dos autores eram caras independentes, e eu os colocava na maior vitrine de quadrinhos do Brasil. Não tenho a menor vergonha de dizer, muito pelo contrário, tenho maior orgulho de dizer, que um monte de autor pegou freelancer por causa daquele projeto. Um monte de autor foi descoberto por editoras por causa daquele projeto. Aqueles três livros viraram um catálogo do que de melhor se fazia naquele momento no quadrinho brasileiro.

Eu sabia o quanto o Maurício gostava de quadrinhos, mas por causa do dia-a-dia dele, não lia mais quadrinho. E quando o primeiro MSP 50 ficou pronto, eu disse que aquilo ia ser um sucesso e que íamos fazer mais. Ele perguntou: tem mais 50? Tem muito mais que 50. E como eu descobri esses caras… aí vem o fato de ser jornalista e editor-chefe do Universo HQ, e em algum momento da minha vida divulguei todos esses caras e li tudo o que esses caras fizeram. Sou um cara que lê demais. No MSP 50 foi um laboratório para saber como era trabalhar com esses caras. O cara está com tesão para pegar um personagem do Maurício? Isso pra mim é vital. O cara tem que gostar, tem que querer. E aí começa a rolar um negócio incrível: no MSP 50 teve um autor, o Mario Cau, que peguntou quem ele tinha que matar para entrar no livro. Ele está no segundo, e isso foi quando saiu o primeiro. E quando decido fazer o segundo, já sabia que ia fazer três. Aí eu equilibrei, teve cara que não coloquei no segundo para deixar o time do terceiro livro forte também. Mike Deodato foi um deles. O pessoal pegunta se daria para ter feito mais de três. Daria, só que nerd adora trilogia. Aí começamos um outro passo, que foram as graphic novels.

Você que está bem próximo, como é a participação do Maurício de Sousa hoje no processo criativo das histórias?

Sempre falo que tenho a sorte de trabalhar com um cara que é mais meu amigo que meu chefe. Ele curte tanto essa coisa da reinvenção, que a parada obrigatória é na minha sala. Ele chega perguntando se chegou coisa nova. Ele vibra com aquilo, de uma maneira. O Maurício é um dos caras que mais trabalha que conheço na vida. Hoje ele não faz os roteiros, mas ele analisa todos os roteiros que chegam. São 1.500 páginas por mês. E ele edita: “aqui tem texto demais, esse quadro pode tirar…”. A prendi muito nesse sentido. E toda a parte negocial da empresa, contrato novo, tudo passa pelo cara. É um obcecado pelo que faz, um apaixonado. Meu maior ponto de convergência com o Maurício é esse, e ele se enxerga muito também em mim. O cara ama o que faz e recebe uma energia dos leitores que é um negócio extraordinário. Por isso, estar com ele é um aprendizado diário.

Quando sai uma graphic do Horácio?

Então, o Maurício pediu para não mexer no Horário, ainda [risos]. “Pô, já escolheu alguém para escrever o Horário? É difícil, hein”. Tá bom, entendi o recado. No MSP 50 saíram alguns Horácios – lindos, aliás. Um deles foi do Rogério Coelho, que fez a graphic do Louco, e abre o terceiro livro. Mas tem que tomar cuidado, porque vai ter que ser A Escolha.

O que sai esse ano de Graphic MSP?

Esse ano sai Papa-Capim, em março ou abril, da Marcela Godoy e Renato Guedes, um desenhista que já trabalhou para DC e Marvel, e é a primeira graphic de terror. Depois sai o segundo Bidu, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, que deve ser em junho. Na bienal, em setembro, Mônica, da Bianca Pinheiro. E fechando o ano, o terceiro Astronauta, do Beyruth, com cores da gaúcha Cris Peter.

Capa de um dos volumes das Graphic MSP

Capa de um dos volumes das Graphic MSP

Quando você iniciou a escrever sobre quadrinhos, em 1990, já tinha outros profissionais ou você sentiu que precisava abrir esse campo?

Eu era um leitor ocasional de matéria de quadrinho, até então era anos 80, e saia pouca coisa. Quando entro na faculdade de jornalismo, dou uma sorte gigante, porque é uma época que rola um boom. O jornalismo brasileiro descobre a crítica de quadrinho, e todos os jornais de São Paulo tinham uma crítica por semana sobre quadrinhos. Na Folha de São Paulo tinha o André Forastieri, e depois o Rogério Campos, que em seguida montaram a [Editora] Conrad e, inclusive, foram meus chefes. Na Folha da Tarde tinha o Franco de Rosa, no Estadão o gaúcho Marcel Plasse e o Marcelo Alencar. O Alessandro Giannini estava no Jornal da Tarde e no Diário do Grande ABC tinha a  Rosane Pavam. Todo mundo tinha uma página de quadrinhos! Eu estava escrevendo na faculdade, publicando tudo no jornal mural. Aí peguei minhas folhas todas furadas de taxinha, botei numa pasta e fui procurar “freela”. Não tinha um cara que eu me identificasse pra caramb, mas gostava muito dos textos do Marcelo Alencar, do Plasse e do Giannini, e me chamava muito a atenção o Franco de Rosa, que divulgava bastante quadrinho nacional. Os outros analisavam mais graphic novel, quadrinho europeu e tál. Mas aprendi muito com todos esses caras aí.

Embora esse mercado tenha crescido muito, não se vê mais esse tipo de conteúdo nos jornais. Por quê?

Todos esses caras que citei, pararam de escrever sobre quadrinhos. A minha maneira de não parar de escrever sobre quadrinhos foi o Universo HQ. E antes disso, quando os jornais entram em uma crise danada e tál, sempre tive um negócio, que é uma coisa minha, que é que sempre quis levar quadrinho para quem não lê quadrinho. No jornal, o cara que não é leitor pode ler. Ok, mas eu quero mais. Quando comecei a escrever em jornal e revista, comecei a bolar matérias para levar quadrinhos ao público que não lê quadrinhos. Na primeira, peguei os jornalistas dos quadrinhos e analisei segundo o código de ética brasileiro da profissão. Destruí o Superman, o Homem-Aranha, eram todos antiéticos. Ofereci a matéria para a Revista Imprensa. Era estudante ainda, e publiquei. Aí depois fiz os cientistas super-heróis para a Super Interessante: capa. Para revista Gula os comedores dos quadrinhos, Revista Quatro Rodas os motoqueiros dos quadrinhos, e aí foi. Era para ampliar. Se perguntar quem escreve sobre quadrinhos no Brasil hoje, você não lembra de nenhum. O Paulo Ramos, talvez, do Blog dos Quadrinhos, mas que não está mais fazendo o blog. Sinto falta de surgir gente nova. Está faltando surgir as novas referências do jornalismo sobre quadrinhos. Hoje, a gente sabe, o cara vai para uma redação, e tem que fazer de tudo, cobrir música, teatro e tál. A perda de espaço vem daí, com a internet, os jornais encolheram. Quadrinhos, que tinham páginas inteiras, hoje brigam com teatro, cinema, televisão, fofoca, tudo isso em um caderno de cultura. Então ah, vai para a internet. Ai tem centenas de sites e blogs que falam sobre o assunto…

O que é bom, mas também não cria aquela grande referência.

Exatamente. O Universo HQ continua sendo essa referência por isso, porque se sabe que a gente faz jornalismo. Hoje eu não resenho mais nada, não escrevo mais notas, desde que virei editor na Maurício de Sousa Produções, não posso ser estilingue e vidraça ao mesmo tempo, mas sigo sendo o editor-chefe, reviso todos os textos, pauto, comando o podcast Confins do Universo. Então os caras sabem, ali tem um cara que leva o negócio a sério. E o que mais sinto falta é o seguinte: quando decidi escrever sobre quadrinhos, falei cara, vou ser bom nesse negócio, vou pesquisar pra caralho. E isso eu sinto muita falta. Estou sentido falta de texto com pesquisa. Os caras vem me entrevistar, e já pergunta de cara “e aí, você estudou o que?”. Entra no google e depois a gente conversa. Dei sorte de começar em uma época que estava saindo Cavaleiro das Trevas etc. Hoje, é o momento que isso tudo está voltando. Tem clássicos que a molecada da minha época muitas vezes não tinha acesso, mas estão sendo lançados hoje. Quer ser um especialista? Vai lá e lê essa porra, pra você entender o contexto todo. Você não vai virar uma referência do jornalismo nerd apenas vendo os filmes da Marvel e DC, e acompanhando o que sai de 2000 pra cá. Quando eu comecei a ler, não sabia o que era Krazy Kat, Little Nemo, fui pesquisar, montei uma biblioteca gigante, até porque sou tarado por quadrinhos. Sinto falta da molecada com mais gana. Quando visitei todo aqueles jornais, não tinha freelancer nenhum, e eu ligava na cara dura. “Escuta, sou o Zé Ninguém, você me atende?”. Aí todos me atenderam, e na última visita consegui um freela. Desde então não passou um mês da minha vida sem que eu não tivesse escrito um texto sobre quadrinhos. Muita gente fala que é jornalista e quer trabalhar com isso. Rala, lê pra caralho, lê muito, e não só quadrinhos.

Acha que as livrarias e as plataformas digitais podem substituir as bancas de jornais?

Essa pergunta é bem difícil. O brasileiro está muito acostumado com a banca, só que ao mesmo tempo o número de bancas encolhe a cada ano. E num país que é praticamente uma Europa de tamanho, a gente tem a distribuição setorizada, tem um público que não é adepto a visitar livraria, e não tem livraria em número suficiente, não tem como fazer um mercado como o americano, que é de venda direta. Então tem que haver todo um amadurecimento do mercado para que isso aconteça. A gente está em um cenário muito mutável. Eu era da época em que via uma banca e parava. Hoje ninguém para na banda, lê tudo digital, no tablet. Mas acho que temos que manter os olhos abertos.

Com a Graphic MSP você resgatou velhos leitores que acompanhavam Mônica antigamente. Hoje em dia, está se criando um público jovem leitor de quadrinho?

O Maurício nunca deixou de ser o maior criador de leitor do Brasil. Só que a molecada lia aquilo e parava, porque a maioria para de ler quadrinho quando deixa de ler o Maurício. Aí ele cria o Turma da Mônica Jovem, para esticar um pouco mais. Então ele mantém o leitor mais tempo lendo quadrinho. Aí quando você lê até os 13 ou 14, especialmente nesse momento de efervescência nerd, hoje a chance do moleque migrar para outro gênero é gigante. Filmes, convenções… A molecada migrava antes só pra mangá, agora tem um ou outro super-herói que dá pra ler – claro, ler super-herói é difícil porque a cronologia é uma zona. Mas hoje a produção de leitores do Maurício está sendo mais bem aproveitada. O mais legal das graphics é que já lancei 10, e tem gente descobrindo agora, por isso é importante que todas estejam em livrarias sempre, para que a roda continue se mantendo. Então, leitor está sendo criado sempre, basta saber como atingir.

O que popularizou as HQs foram as sagas dos super-heróis. Hoje, qual a grande saga de super-herói que está sendo contada?

Puta merda, hein. Li muito super-herói, e estou bem de saco cheio. Faz pelo menos uns 15 anos que é só uma grande saga que termina, para começar outra grande saga, que está ligada na outra grande saga. E vão matar pra voltar, aí rebuta o universo para começar tudo de novo… Então, se eu tenho 10 títulos bons da Marvel e da DC, e tenho 10 revistas, a editora me lança aqui em 10 revistas mix, um em cada um: como leitor eu fico puto, como editor eles estão certos. Você tem um carro-chefe em cada uma, e puxa as outras. Não sei até quando isso dura, mas hoje tem muita coisa sendo encadernada. Aí você pega lá na Amazon, os quadrinhos mais vendidos são os clássicos: Cavaleiro das Trevas, Crise nas Infinitas Terras, Demolidor do Frank Miller, A Piada Mortal. Por que? Porque infelizmente o que está vindo não atingiu o status de clássico. O último que acho que virou clássico foi O Reino do Amanhã [do Superman, 1996]. Depois você vai ver um ou outro bom quadrinho. Hoje, o que estou lendo e estou gostando é o Cavaleiro da Lua, saíram dois volume encadernados, com histórias curtinhas, uma pegada e uma diagramação muito bacana. Tem outro que não acho tão brilhante quanto tanta gente acha, que é o Gavião Arqueiro, que é uma pegada mais solta, descontraída, e ele está na rua, morando em um prédio, fora dos Vingadores. Então, os heróis tem sim, ocasionalmente, títulos bons… E tem amigo que fala que “Ah, na minha época”. Na minha época também tinha quadrinho ruim pra caralho, e tinha alguns bons. É uma produção gigantesca no mercado americano, é impossível ser tudo bom. E tem uma coisa que sempre brinco com o Maurício, quando começamos com as graphics ele disse: “Vamos fazer a Marvel brasileira”. Falei que não, que não íamos lançar quadrinho mensal ruim. Vamos trabalhar no modelo europeu, com álbuns bem trabalhados, o roteiro vai e volta, a gente lança dois, três a cada ano, e assim a gente vai.

Te agrada o que Marvel e DC fazem nos cinemas e nas séres de tv?

Durante muito tempo não. Eu era xiita: “Mexeram no Batman! Meu deus, Michael Keaton parece um pinguim andando”. Ah, eu odiava. Aí entendi que aquilo não era pra mim. Mas mesmo assim, o primeiro Batman que prestou foi o do Nolan. O público nerd tem que entender que os filmes não são pra nós, é para um público muito, muito maior do que lê quadrinho. Aí os caras entenderam que podem mudar algumas coisas, mas não a essência dos personagens. É o que faço nas graphics. Quando você consegue manter a essência e ainda mete umas referências nerds… Aparece o Stan Lee, aí três caras no cinema dão risada , “ah, eu sei quem é, os caras não sabem”. Acho que isso tem um grande valor, mas aumentou a venda de quadrinho? Não, mas eles fomentam o interesse pelo herói. Uma criança sabe quem é o Homem de Ferro, e até os anos 90 uma criança não sabia quem era o Homem de Ferro. Sabe quem é o Deadpool. Então tem sim muito valor.

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