Paulo Mendes: contos e jornalismo no centenário Correio do Povo

Paulo Mendes - Foto de Arthur Puls

Douglas Hinterholz Cauduro

Comemorando os 120 anos de vida do jornal Correio do Povo, o impresso e a Faculdade dos Meios de Comunicação (Famecos) da PUCRS, uniram forças para promover uma semana de palestras, oficinas e atividades voltadas ao jornalismo. O pontapé inicial foi dado pelos jornalistas Luciamem Wink, Veridiana Dalla Vechia e Paulo Mendes, que conversaram sobre histórias do jornalismo e o atual momento do jornal centenário. Mas foi Mendes o sorteado para conceder uma entrevista.

Nascido em Cacequi, criado em Júlio de Castilhos por uma família adotiva, o hoje editor geral do impresso da Caldas Júnior conta que sua proximidade com a leitura começou logo cedo. “Aprendi a ler com 5 anos, lendo o Correio do Povo”, relembra. A partir disso, o interesse pela escrita aumentou, despertando logo o que se tornaria sua profissão. “Nos primeiros anos na escola, inventei o jornal chamado ‘O Eucalipto’, era tudo feito em uma folha de caderno. Nele, eu basicamente contava o que escutava no meu trabalho de ajudante no bolicho da minha família”, recorda.

Foi exatamente essas histórias engraçadas, sobre os causos do interior, que o incentivaram a seguir o caminho dos contos. “Quando chegou o período do vestibular eu já sabia o que fazer. Passei em jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria. Logo comecei a trabalhar no jornal ‘A Razão’ ”. Mas as andanças de Mendes não pararam por aí. Quando formado, foi para Caxias do Sul, trabalhar na editoria de esportes do jornal “O Pioneiro”. Depois dessa experiência na área esportiva, rumou para Porto Alegre como bolsista de mestrado em Letras. Então, um “Plano” mudou tudo na vida de Mendes. “Em 1989 eu estava cursando o mestrado, e guardava o dinheiro na poupança. Um ano depois, houve o Plano Collor, que confiscou esse dinheiro. Sem nada, fui fazer o que todo mundo faz, procurei emprego. Graças a Deus, em outubro de 1990 entrei para o Correio do Povo, e lá trabalhei de quase tudo na redação”.

Estava no sangue

Mesmo sendo criado por uma família adotiva, Mendes manteve contato com a mãe biológica. “Quando ela estava doente, eu cuidei dela. Em um dia desses ela me olhou e disse que eu era muito parecido com o meu pai. Então entrei em contato com ele via carta. Duas semanas depois ele respondeu por e-mail confirmando todas informações. Enquanto a maioria dos meus amigos perdiam seus pais, a vida estava me dando a oportunidade de conhecer o meu pai biológico”, comenta. Mas a surpresa não parava por aí, o pai biológico de Mendes era jornalista e também trabalhava com literatura. Se não bastasse, ele tinha mais três irmãos, e dois também optaram pelo jornalismo.

União de paixões

Em 2009, o Correio do Povo voltava a ter o Caderno Rural. O jornal sempre esteve muito ligado à vida rural. Com o retorno, uma nova proposta surgiu. “Fui convidado pela editora do caderno para fazer uma coluna de ficção sobre o homem do campo. Essas são as duas coisas que mais gosto: o campo e a literatura. Aceitei. Depois de alguns textos, estava efetivado como colunista com a coluna chamada ‘Campereada’. Todo o domingo eu faço crônicas e contos sobre o Sul. Esse trabalho literário me trouxe alegria”. Além de felicidade, Mendes reuniu os textos publicados no impresso, e lançou dois livros, chamados Campereada e Campereada 2. Agora, o escritor lançará oficialmente na Feira do Livro de Porto Alegre, seu terceiro livro, chamado “Um Bardo Desgarrado: A Poesia Regionalista de Aureliano de Figueiredo Pinto”.

Profissão

O século XXI apresenta-se quase sempre pessimista ao jornalismo. Muitas mudanças ocorrendo, a disputa da publicidade com a internet, os conteúdos online, além das velhas reclamações dos profissionais que se queixam da falta de estrutura e dos baixos salários. “No jornalismo surgem diversas coisas que fazem pensar em desistir”. Entretanto, Mendes não faz o tipo terra arrasada. “ Cada novidade tecnológica que surge, faz com que alguém tente acabar com outra plataforma. Foi assim com o rádio, a televisão, e agora, o jornal, mas tenho certeza que a profissão de jornalista sempre vai existir”, conclui.

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