Resenha: “Até que a Sbórnia nos Separe”

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Luiz Paulo Teló

Um dos verdadeiros ressentimentos que vou levar para o resto da vida é não ter ido ao teatro assistir ao espetáculo Tangos & Tragédias. Durante três décadas, praticamente, Hique Gomes e Nico Nicolaiewsky encenaram sua comédia musical nos palcos de Porto Alegre – e do Brasil. Por algum motivo besta, sempre adiava, com o argumento de que não perderia na próxima temporada. Porque sempre haveria uma próxima temporada. Aí que de forma trágica, um câncer vitimou Nico precocemente, e Tangos & Tragédias teve finalmente sua última temporada, e eu a perdi.

Para meu consolo, tive a felicidade de assistir à animação Até que a Sbórnia nos Separe, dirigida por Ennio Torresan Jr e Otto Guerra. Um filme que fica quase como homenagem póstuma a Nico, já que ele participou de toda a concepção, desde a produção à dublagem, mas infelizmente não viu o longa metragem pronto, tampouco estreando nos cinemas.

A adaptação à obra de Hique e Nico chegou aos cinemas em outubro passado, ficando em cartaz m alguma salas pelo Brasil. Recentemente, entre 31 de março e 5 de abril, esteve novamente em cartaz na cinemateca Capitólio, em Porto Alegre.

Até que a Sbórnia nos Separe é divertidíssimo, resgatando o humor afinado dos palcos para as telonas, em uma animação muito bem resolvida gráfica e esteticamente. A fictícia ilha da Sbórnia, lugar de origem dos personagens principais Kraunus e Plestkaya, ganha vida com seus costumes exóticos e sua cultura rústica.

A personificação da ilha talvez seja o grande acerto do filme, juntamente com a excelente dublagem, que conta com André Abujamra, Arlete Salles, Fernanda Takai, e os autores criativos do universo Hique Gomes e Nico Nicolaiewsky.

Em ritmo sempre acelerado, apresentando um ambiente catastrófico, que conta a história de como a ilha se desgarrou do continente e hoje flutua pelo oceano, sem paradouro certo, Até que a Sbórnia nos Separe se mostra sempre mais interessante quando os holofotes voltam-se ao cotidiano do exótico povo sborniano. A transição do segundo ato para o desfecho acaba perdendo um pouco de força pois o roteiro não trabalha tão bem com o romance entre Plestkaya e Cocliquot (Takai) e disvirtua em demasia o foco do filme.

Dado este desconto, Até que a Sbórnia nos Separe é uma boa notícia ao cinema de animação no Brasil, pois é um trabalho técnico de excelente qualidade. Assim como é o reconhecimento e também uma homenagem ao belíssimo trabalho que estes artistas incríveis, o Hique e o Nico, conseguiram eternizar nos palcos através de Tangos  & Tragédias.

Ficha Técnica

Gênero: Animação, Comédia
Duração: 85 min.
Origem: Brasil
Direção: Ennio Torresan Jr., Otto Guerra
Roteiro: Ennio Torresan Jr., Otto Guerra, Rodrigo John, Tomás Creus
Distribuidora: Lança Filmes / Lotado Filmes
Censura: 10 anos
Ano: 2013

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