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Resenha | Vingadores: Guerra Infinita

Luiz Paulo Teló

Vingadores: Guerra Infinita é um Blockbuster com “B” maiúsculo. Quase tudo funciona no terceiro filme do Marvel Studios que os irmãos Anthony Russo e Joe Russo dirigem. E não é qualquer filme, porque, antes de tudo, é impressionante constatar a capacidade de mobilização e engajamento de público que a Marvel alcançou com seu universo cinematográfico. Com Guerra Infinita, já são 18 filmes interligados de alguma forma, contando a trajetória de inúmeros heróis, vilões, alienígenas e seres místicos baseados nas histórias em quadrinhos.

E defini-lo como um blockbuster que faz parte de uma franquia gigante, que lança mais de um filme por ano há uma década, é essencial para fazer qualquer crítica ao filme. Em uma produção como esta, certos aspectos técnicos e artísticos do cinema tornam-se menos importantes, enquanto outros merecem atenção. Mesmo que Vingadores: Guerra Infinita seja capaz de alcançar milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo, ele não deixa de fazer parte de uma temática que está dentro de um nicho, e satisfazer os fãs que adoram esse universo, já é meio caminho andado para que o filme seja, de fato, bom.

E, sim, Vingadores: Guerra Infinita é muito bom. Grande parte disso deve-se ao seu protagonista: Thanos. O personagem, interpretado através de captura de movimento pelo ator Josh Brolin, poderia tranquilamente dar nome ao filme. O vilão, que aparece pela primeira vez na cena pós-créditos do primeiro Vingadores, em 2012, aqui finalmente vai a campo para reunir as seis joias do infinito e se tornar o ser mais poderoso do universo.

Thanos (Josh Brolin) revela-se o maior vilão do MCU.

Thanos, entretanto, não é mau apenas por ser mau. O personagem é muito bem trabalhado pelo roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely. Thanos tem um objetivo e, por mais absurdo que seja, ele consegue fazer com que aquilo faça certo sentido. Surpreendentemente, o personagem tem um arco dramático que potencializa a importância de Vingadores: Guerra Infinita dentro deste gênero que podemos considerar que são os filmes de super herói.

Embora se especulasse demais antes da estreia, e algumas coisas da trama pareciam sugestionadas pela grandiosidade do evento, Guerra Infinita consegue surpreender. Mas, assim como outros filmes da franquia, ele quase esbarra no seu sentido de gravidade e consequência dos acontecimentos. Evidentemente coisas graves acontecem, afinal Thanos não está de brincadeira, mas o qual desses acontecimentos realmente impactarão gravemente nas sequências já confirmadas para os próximos anos?

Contudo, o que é inquestionável em Guerra Infinita é justamente o que ele se propõe a ser: uma grande jornada com dezenas de personagens super poderosos em cenas de ação. O filme nos entrega grandes cenas de ação, e os irmãos Russos mostram mais uma vez como são competentes em filmar e utilizar a habilidade de cada personagem. E o que vinha sendo um problema em outros filmes da Marvel, como Homem-AranhaPantera Negra, aqui está super bem resolvido, que são os efeitos especiais em cenas de combate.

Uma das dificuldades em efetuar uma produção desta grandiosidade é o número de personagens. São muitos, e alguns até então, em 10 anos de franquia, nuca haviam dividido a tela. Portanto dosar o tempo de tela de cada personagem, estabelecer uma importância na trama e amarrar tons de narrativas que são herança de seus filmes solos, são desafios complicados mas que, me parece, foram superados em Vingadores: Guerra Infinita.

Embora sejam muitos os personagens, é necessário falar de alguns deles individualmente. Tony Stark (Robert Downey Jr.), o Homem de Ferro, tem um arco interessante. Em Guerra Infinita, fica evidente a importância e o tamanho do herói para a construção de todo o Universo Cinematográfico da Marvel. Downey Jr. dá vida a um sujeito repleto de culpa e que a age a partir disso. Assim como ele, Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), Thor (Chris Hemsworth) e Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) são destaques e protagonizam ótimos momentos de combate e uso de suas habilidades.

Para quem é fã do Universo Cinematográfico da Marvel, Vingadores: Guerra Infinita é de encher os olhos. É tudo aquilo que se esperava, mas diferente do que se imaginava. O roteiro é bem amarrado, coerente com tudo aquilo que já vimos até então dentro da franquia e, no final das contas, ele entrega a aventura grandiosa que promete.

 

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