Ed Motta em chave crítica

Fabrício Silveira

“Minha opinião não é relevante”. Gostaria que todos os posts do Facebook começassem com esta frase. Não acompanho o trabalho do Ed Motta. Nunca me chamou a atenção. Sei que ele é um pernóstico notório. Sei que, para muitos, é a própria imagem da arrogância. No entanto, mesmo assim, gostaria muito de ser seu amigo pessoal. Acho que aprenderia muito sobre música. Acho que eu iria descobrir preciosidades em sua coleção de vinis, por exemplo.

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Mas isto não é importante. O sujeito que ele descreve e critica, no post mais polêmico da última semana, obviamente, existe (ver aqui). Existe e merece mesmo ser criticado. Independentemente de ser brasileiro ou não, independentemente de classe social, escolaridade ou qualquer outra condição sociológica. Aliás, não é questão de educação formal que está em causa. No episódio restrito, Ed Motta não está sendo arrogante nem elitista. Apenas aponta para uma questão básica, de educação e respeito mínimos. Não tenho dúvidas: há muito público mal-educado e desinformado por aí. Sem dúvida, há muita patriotada por aí também. A fórmula então é explosiva: algum dinheiro, desinformação, pouca educação, falta de auto-crítica e patriotismo. BOMBA! Depois, o artista é que é o preconceituoso.

Discordo de duas coisas no texto original de Ed Motta: 1. ele próprio se diz “infame” e não acho que seja um texto infame (no que diz respeito ao conteúdo – é um texto ressentido, mas não é “infame”); 2. não acho que tenha sido feliz no modo ou na maneira como se expressou (no que diz respeito à forma do escrito). De fato, é um desabafo rude e impensado, que fez ressoar uma pequena verdade de crítica cultural. Um verdade difícil de aceitar, que muitos de nós preferem negar, sob muitos argumentos. Acho ruim que ele tenha se retratado (ver aqui). Não gosto de nerdismo enciclopédico e erudição livresca – afinal, isto não é sabedoria – mas, do jeito como as coisas vão, no rumo da histeria e do delírio coletivos em que vivemos, logo logo estaremos pedindo desculpas por sermos cultos e por não nos contentarmos com a “brazilian micareta”.

Como disse, minha opinião não é relevante.

Fabricio

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10 Comments

  1. Quem é Ed Motta !!!!!!!!!!!!

  2. O que ? Quem é Ed Motta !!!!!

  3. Caro Fabrício, se existe alguma regra sobre críticas escritas é que devemos ler uma, duas, três vezes antes de tomarmos qualquer atitude. Ao ler o desabafo de Ed Motta a primeira reação é sim de indignação por estar lendo palavras ásperas contra o povo brasileiro escritas por um brasileiro americanizado. Porém analisando com calma e lendo uma segunda vez o sentimento é semelhante ao seu texto. Seria a mesma situação de revolta inicial sobre as palavras de Zeca Camargo em sua última polemica? Abraço.

  4. Desculpe-me, quem é Ed Motta ??????

  5. ed marmotta,é um ser relevante no universo, sem sua presença no mundo. o mundo seria bem MELHOR, mas a sua presença embora nada agradável nos dá parâmetro em diferenciar o que é BOSTA e o que NÃO É BOSTA..

  6. O zé povinho descarta qualquer conteúdo que obrigue o cérebro a estabelecer estruturas complexas de percepção e entendimento, logo não entendem e sequer conhecem a obra de artistas do naipe de Ed Motta. É mais fácil apelar para o “popularesco” do que desenvolver e aprimorar o senso estético, mas o conteúdo absorvido acaba sendo um termômetro do intelecto do receptor, uma observação mais cuidadosa já aponta quem será gado no pasto e quem vai mandar. Ah e braZilleiros não costumam apreciar a verdade nua e crua tal qual dita pelo Ed Motta é mai fácil se render ao mimimi do populacho.

  7. No corpo da matéria:
    “Gostaria muito de ser seu amigo pessoal” (sic).. Particularmente nunca vi nenhum amigo “impessoal”… ou é seu amigo ou não é… para um “mestre” e “doutor” em comunicação, deixa muito a desejar…

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