A trajetória do Justiceiro nos quadrinhos

O Justiceiro, por Tim Bradstreet, em 2007

O Justiceiro, por Tim Bradstreet, em 2007

Stefano Pfitscher

A nova temporada de Demolidor recém estreou e já está impressionando os fãs com sua abordagem madura ao gênero e suas elaboradas sequências de ação. Mas se no ano que passou grudamos no sofá para um binge watch da transformação de Matt Murdock (Charlie Cox) no herói da Cozinha do Inferno, a nova temporada promete uma batalha de muito mais nuances, com a introdução de um dos anti-heróis mais famosos dos quadrinhos no Universo Cinematográfico da Marvel: o Justiceiro.

Reflexo de uma América abatida após sua desastrosa empreitada no Vietnã e pelas recentes denúncias envolvendo o presidente Richard Nixon no que seria conhecido como o Escândalo de Watergate, o Justiceiro surgiu em 1974, como uma resposta cínica e cruel às insatisfações da sociedade de sua época. Com sua política de tolerância zero contra criminosos e usando armas de fogo ao invés de bat-bugigangas ou super-poderes, o personagem representou uma interessante mudança de tom nos quadrinhos dos super-heróis. Trazendo uma primitiva aura adulta a um gênero ainda bastante infantil, a natureza violenta e obstinada do Justiceiro influenciaria diretamente autores como Frank Miller, que, nas décadas seguintes, mudariam para sempre a concepção do público em relação à nona arte.

Para um mero coadjuvante, o anti-herói se destacou entre os coloridos heróis da Marvel até então com sua distorcida ideologia em relação ao sistema criminal – e nunca isso ficou tão claro quanto nas histórias que estrelou na década de 1970.

O coadjuvante do Homem-Aranha

A primeira aparição do Justiceiro se deu em Amazing Spider Man #129 (publicado no Brasil em Homem-Aranha #63, da extinta editora Ebal) em uma história que ganhou o título de O Vingador Ataca Novamente! – antes ainda do personagem ganhar seu devido nome em português, o que aconteceria em poucos anos.

O Justiceiro já aparece na primeira página da história vestindo seu tradicional uniforme negro com uma caveira no peito, disparando um rifle contra uma estátua do herói Aracnídeo – um bom indicativo do papel que teria nesses anos iniciais. Apesar de sua política de perseguir apenas criminosos, já estabelecida nesta primeira aparição, o Justiceiro é, na verdade, introduzido como um semi-vilão, caçando o Homem-Aranha e o enfrentando duas vezes, tudo isso porque fora manipulado pelo Chacal a vingar a morte de Norman Osborn.

Amazing Spider Man 129_ Justiceiro

Aqui, é bom explicar o inusitado contexto em que o Aranha se encontrava na época. Aos 19 anos de idade, Gerry Conway havia recém sido nomeado o primeiro roteirista a assumir Amazing Spider Man depois de Stan Lee, e logo no seu primeiro ano, já foi responsável por um dos momentos mais famosos da história dos quadrinhos. Desafiando a autoridade de Lee, que era contra mudanças drásticas na vida dos protagonistas por medo de problemas de continuidade, Conway escreveu a seminal A Noite em que Gwen Stacy Morreu, publicada originalmente em Amazing Spider Man #121 (1973) e no mesmo ano em Homem-Aranha #54, da Ebal.

Na história, um Norman Osborn perturbado pelos problemas de Harry com o LSD retoma sua identidade de Duende Verde e termina jogando a namorada de Peter Parker do alto da ponte George Washington, onde ela acaba morta. Na sequência, enquanto os personagens – e os leitores – ainda se recuperavam da chocante reviravolta, o Aranha segue Osborn até um armazém onde um violento combate acaba com o Duende empalado por um de seus planadores.

Como se vê, o clima soturno que afetava o país já vinha se manifestando nos títulos de super-herói há algum tempo, com a sombra dos recentes escândalos políticos e fracassos militares surgindo discretamente na vida dos personagens, como nos problemas de Harry Osborn com as drogas – uma sub trama tão polêmica que acabou por gerar o código que hoje regula os quadrinhos americanos. Cumprindo a tradição Marvel de envolver seus títulos em todo conflito armado iniciado pelos EUA (duas palavras: Capitão América), Stan Lee já havia enviado o rival colegial de Peter, Flash Thompson, para a guerra no Vietnã, apenas para trazê-lo de volta contando os horrores que vivenciara no sudeste asiático. Como veremos a seguir, o conflito seria um dos elementos mais importantes na definição da origem do Justiceiro.

Nesse contexto, o destino que atingiu a queridinha da América, Gwen Stacy, por mais marcante e inesperado que tenha sido, é hoje interpretado como conseqüência de uma década em pleno processo de reconstrução, ou, extrapolando ainda mais, a morte do estilo inocente e otimista das HQs de herói dos anos 50 e 60.

Nos quadrinhos, as implicações dessa trama em particular, que reverbera há décadas nas HQs do personagem, foram fundamentais para o surgimento do Justiceiro. A morte de Norman Osborn, por exemplo, que Jonah Jameson, através de seus editoriais, faz todos atribuírem ao Aranha, acaba gerando um clima de desconfiança em relação ao herói que o Chacal, outro profundamente impactado pela morte de Gwen, acabou usando para manipular o vigilante.

Pouco depois, em sua segunda aparição, Decisão no Parque! (ASM #135/HA#69 – Ebal), esse clima de instabilidade segue com a intervenção do Justiceiro entre a luta do Aranha com o vilão-da-vez Tarântula, julgando ambos como aliados no sequestro de um navio. Eventualmente o vigilante percebe seu erro, se juntando ao Amigão da Vizinhança na captura do vilão no Central Park (locação crucial na futura origem do anti-herói) e forjando uma inusitada aliança que se repetiria por décadas, apesar do conflito ideológico entre os dois personagens. Para tanto, ao final da história, com o Tarântula sob controle, o Justiceiro chega a perguntar ao herói se este se considera um idealista, ao que ele responde que sim e pergunta sobre os ideais do companheiro: “Já tive! Mas essa história fica para uma outra vez!”, provoca o texto de Gerry Conway, deixando os leitores num gancho.

Nascido para Matar

De fato o autor revelaria a origem do personagem não muito depois, em um número de Marvel Preview, uma esquecida revista Marvel lançada totalmente em preto e branco e voltada a um público mais adulto.

É bom lembrar que, até então, quadrinhos para adultos, mesmo que largamente consumidos pelo público infanto-juvenil, eram considerados um tabu social, consistindo quase exclusivamente em folhetins baratos de teor erótico ou historietas de terror – e muitas vezes dos dois. A própria Marvel Preview era pouco mais que um experimento comercial, tentando apelar para esse nicho com aventuras para maiores do Thor e do Blade, enquanto alternava contos de Drácula e Sherlock Holmes, como as concorrentes faziam. Não tanto pela falta de qualidade das histórias – personagens como o Senhor das Estrelas, hoje líder dos populares Guardiões da Galáxia, surgiram neste título – e mais pelo formato um pouco ousado para sua época, Marvel Preview hoje não é lembrada como mais que uma curiosidade de seu tempo. Apesar disso, acabou sendo o veículo perfeito para contar a origem do Justiceiro.

Marvel Preview Presents The Punisher_o Justiceiro

Sob o título Death Sentence, a trama de Marvel Preview #2 (1975) – nunca publicada no Brasil – mostra o Justiceiro investigando uma série de assassinatos cometidos por ex-combatentes do Vietnã, o que, como geralmente ocorre, faz as autoridades acreditarem que o anti-herói com a caveira no peito é o responsável pelos crimes. Interessados no perfil do Justiceiro, os policiais recorrem ao seu registro militar, desvendando não só seu passado no Exército – que era evidente desde sua primeira aparição – como sua motivação para se tornar um vigilante.

De acordo com a história, e isto se tornaria o cânone do personagem, o Justiceiro teve sua mulher e dois filhos mortos por mafiosos após serem testemunhas de uma execução no Central Park. Detalhes desta história seriam acrescentados nas décadas seguintes, em especial na mini-série Justiceiro: Ano Um (1996) onde é explicado quem são os criminosos responsáveis pelos assassinatos e como as falhas do sistema em detê-los acabaram tornando um veterano de guerra no obstinado Justiceiro.

Expondo seu passado no Vietnã, e colocando-o contra antigos colegas das forças armadas em uma conspiração digna dos romances da Guerra Fria, Conway deixa o mais claro que poderia em uma revista Marvel dos anos 1970 as frustrações do povo americano com o fracassado confronto militar e o quanto isso informa a distorcida visão de mundo do Justiceiro.

É importante explicar, no entanto, que, embora Death Sentence aborde a origem do personagem basicamente como conhecemos hoje, seu nome verdadeiro, Frank Castle, ainda demoraria dez anos para ser revelado – e durante esse tempo o vigilante de Nova York só seria chamado pela alcunha de Justiceiro.

Logo no ano seguinte, 1976, em sua terceira grande participação na revista do Homem-Aranha, seríamos apresentados a um dos personagens mais importantes do universo do Justiceiro. Publicado originalmente em Amazing Spider Man #162, e no Brasil em Homem-Aranha #38, da RGE, Deixe o Justiceiro Lutar Contra o Crime foi a primeira história do Justiceiro escrito por um autor que não Gerry Conway, e sim por Len Wein, também conhecido pela criação do mais icônico anti-herói dos quadrinhos, Wolverine. Não contendo sua familiaridade com os X-Men, Wein inclui o Noturno na conflituosa dinâmica entre o herói Aracnídeo e o vigilante, levando os três aos subúrbios de Manhattan onde previnem um massacre organizado pelo vilão Retalho. Apresentado aqui como um criminoso buscando vingança após ter sido desfigurado pelo Justiceiro, Retalho acabaria se tornando seu arqui-inimigo, sendo o único vilão dos quadrinhos a aparecer em um dos filmes do vigilante: Justiceiro: Zona de Guerra (2008).

Também é nessa história que vemos pela primeira vez aquele que se tornaria uma das marcas do anti-herói: o Diário de Guerra do Justiceiro. Trabalhado mais como um recurso narrativo, o diário aparece em caixas de texto numeradas, como se estivéssemos ouvindo os pensamentos do personagem contando o número de empreitadas em sua guerra particular contra o crime. Dez anos depois, quando, finalmente, o Justiceiro ganharia uma revista própria pela Marvel Comics, esta levaria o título de Punisher War Journal, dando papel central aos registros do vigilante.

Muito antes, porém, ainda em 1977, o Justiceiro se uniria ao Aranha novamente, no que seria o último arco que estrelaria durante a década que o criou. Diferente de suas participações anteriores em Amazing Spider Man, que gradualmente acrescentavam novos detalhes sobre o passado e a índole do personagem, O Golpeador Está de Volta! e sua sequência, Batalha em Nova York! (ASM#174-175/HA#45 – RGE), trazem o Justiceiro basicamente como fora apresentado até então. A trama, novamente bolada por Len Wein, trata basicamente de uma nova aliança entre Homem-Aranha e Justiceiro para regatar Jameson das mãos de um vilão de segunda, o Golpeador (ou Matador, dependendo da tradução).

Se não por mais nada, a dupla de histórias só é relevante – apesar de conter uma incrível batalha no topo da Estátua da Liberdade – para salientar a falta de popularidade do Justiceiro na época. Apesar de ter tido sua oportunidade de figurar solo em Marvel Preview, o Justiceiro foi logo colocado de volta ao papel de coadjuvante do Aranha, provando que o publico dos anos 1970 ainda não estava prontos para a natureza adulta do personagem.

Mas os anos de 1980 seriam palco da maior transformação que as histórias em quadrinhos já sofreram. Percebendo o potencial maduro e cinemático de um gênero que todos mais consideravam infantil demais para levar a sério, autores como Alan Moore e Frank Miller desenvolveriam o conceito da graphic novel, elevando as HQs de mero entretenimento de banca ao nível de arte. E seria justamente esse último que daria o empurrão final para levar o Justiceiro ao estrelato.

Os dois Franks

Se o Justiceiro fosse uma pessoa de verdade seria possível dizer que ele estava no lugar certo na hora certa.

De volta à Marvel depois de fazer história nos anos 1970, com Batman e Lanterna Verde & Arqueiro Verde na DC Comics, o roteirista Denny O’Neil foi o primeiro a ver talento no jovem Frank Miller, ainda um ilustrador de pouca expressão. Agora promovido a editor, O’Neil convidou Miller para fazer a arte de duas edições do único título que ainda escrevia ele mesmo, o especial anual do Homem-Aranha, onde o herói aracnídeo se unia a outro nome conhecido do universo Marvel para uma aventura que, normalmente, não caberia na revista mensal.

A primeira, O Livro de Vishanti, publicada originalmente em The Amazing Spider Man Annual #14 (1980) e em Almanaque do Homem-Aranha #5 (1981), da RGE, é uma divertida aventura do teioso tentando salvar o Doutor Estranho de uma ameaça criada pelos vilões Doutor Destino e Dormammu. Mas foi a segunda, Homem-Aranha: Ameaça ou Calamidade Pública?, que marcou de verdade os quadrinhos Marvel, mudando para sempre a trajetória do Justiceiro.

Ausente dos títulos da editora há mais de quatro anos, o Justiceiro estava a caminho de cair no absoluto esquecimento – como ocorreu com diversos heróis da década anterior (de quem você nunca ouviu falar), como o Mortalha ou o Lobisomem – até que O’Neil e Miller resolveram lhe dar uma chance.

Dando destaque à manchete principal do Clarim Diário, que também dá título à história, a trama inicia com Jameson e Joe Robertson discutindo até onde os ataques pessoais do editor estão prejudicando a vendagem do periódico. Enquanto isso, vemos o Justiceiro executando um guru durante uma apresentação e batendo de frente com o Homem-Aranha, que cobria o evento como Peter Parker. Em seguida, Aranha e Justiceiro seguem separadamente a pista do antídoto para um veneno usado pelo guru em uma garota, até que este último é derrubado por Octopus, enquanto as capas do Clarim vão ilustrando esses desenvolvimentos do ponto de vista do jornal.

Esse recurso se repete mais algumas vezes durante a narrativa, o que é um bom indicativo do quanto de influência Miller teve na verdade no roteiro da história, apesar de só assinar como desenhista. Em seus trabalhos posteriores, o autor ficaria famoso por usar as repercussões da mídia aos fatos da trama como um sarcástico comentário social à banalização da informação – a atitude desinteressada, e, quase sempre, equivocada dos apresentadores de telejornal em O Cavaleiro das Trevas (1986) é o exemplo mais clássico disto.

Logo, o Justiceiro acaba encontrando o vilão em sua famosa base submarina, e enfrentando o Aranha novamente, terminando derrotado. Octopus ameaça envenenar cinco milhões, deixando o prefeito de Nova York em pânico, até que Parker junta as peças e percebe que, para atingir esse número exato, ele só poderia estar tramando usar o Clarim como arma, pondo veneno na tinta do jornal.

O Aranha e o vilão de tentáculos se enfrentam na sala de impressão, e, claro, o herói leva a melhor. Enquanto isso, o Justiceiro desperta cercado de policiais, e, como se recusa a matar inocentes, acaba se rendendo e vai preso – prometendo então ser um pesadelo para os colegas detentos. No fim, Jameson se gaba para Robertson da manchete de que ele salvou a cidade de Octopus, até que o sub-editor o convence de que a história da tinta envenenada seria ruim para a vendagem do Clarim e a edição termina com a mesma “Homem-Aranha: Ameaça ou Calamidade Pública?” que deu início a tudo.

Já demonstrando um pouco do sofisticado estilo visual de Frank Miller, a trama se sobressai entre os quadrinhos da época, evocando o clima maduro e as sacadas inteligentes que o autor apresentaria à narrativa seqüencial. Coincidência ou não, a história, originalmente publicada em The Amazing Spider Man Annual #15 (1981), foi escolhida pela Abril como a primeira história do teioso a ser publicada pela editora logo em Homem-Aranha #1 (1983), dando um poderoso empurrão ao título que duraria quase 20 anos.

Em seguida, O’Neil escalaria Miller para o que seria uma das fases mais celebradas da história dos quadrinhos mensais. O Demolidor de Frank Miller mudaria para sempre não só o herói cego, mas toda indústria de quadrinhos, que passaria a apostar em personagens de moral ambígua e temáticas mais soturnas, justamente o que Conway tentara introduzir com as histórias do Justiceiro – principalmente Death Sentence.

Não é tão importante aqui entrar nas minúcias do que Miller fez no comando do Homem Sem Medo, mas basta dizer que ele foi responsável pela criação de personagens como Elektra e Stick e das versões consagradas de vilões como o Rei do Crime e o Mercenário, todos já presentes – de alguma maneira – na série do herói no Netflix. Falando em Elektra, a rivalidade/romance proibido da mercenária com Matt Murdock seria o ponto chave da abordagem do autor ao título, iniciando logo na primeira história assinada solo por Miller.

E o auge dessa relação se daria em Cartada Final, publicada originalmente em Daredevil #181 (1982) e no Brasil em Superaventuras Marvel #22 (1984), em uma história contada toda do ponto de vista do Mercenário, onde o Justiceiro tem um papel chave, mesmo que pequeno. Instigado por uma ameaça do vigilante, que o prefere correndo riscos do lado de fora do que no seguro ambiente prisional, o Mercenário arquiteta uma fuga da prisão usando um jornalista interessado em mostrar seu lado humano – o mesmo artifício que o Coringa de Miller usaria em O Cavaleiro das Trevas, reforçando a mensagem anti-direitos humanos do autor. De volta à Cozinha do Inferno, o vilão consegue descobrir a identidade secreta do Demolidor e então persegue sua rival Elektra, a enfrentando e, por fim, (SPOILER DE TRÊS DÉCADAS) a assassinando com uma facada no estômago.

É curioso aqui o destaque, mesmo que sutil, que Frank Miller dá ao Justiceiro, colocando nele a motivação para o momento mais famoso de sua passagem pela HQ do Demolidor. Interessante também como ele opta por seguir seu próprio cânone, estabelecido ao lado de Denny O’Neil, e mantém o vigilante ainda preso, quando a maioria dos autores simplesmente ignoraria a continuidade. Mais um sinal de que o autor não via o Justiceiro como só mais um irrelevante personagem secundário.

Em seguida Miller provaria essa tese, tirando o Justiceiro do cárcere na sequência da morte de Elektra, em tramas como O Sonho dos Anjos (DD #183/ SAM #31) e Justiça Cega (DD#184/SAM#32), onde assumiria um papel mais central. Utilizando-o como mais um dos cruzadores urbanos sob os telhados de Nova York, o autor seria responsável por estabelecer a versão definitiva do anti-herói – com alguns buracos que logo seriam preenchidos.

Daredevil #183

Daredevil #183

Em 1985, depois de anos tentando dar um enfoque maior ao personagem, o roteirista Steven Grant conseguiu convencer a Casa das Idéias a lhe deixar publicar algo que tivesse o anti-herói como protagonista. Ainda inseguros em relação ao apelo do Justiceiro em um título solo, a Marvel lhe concedeu uma minissérie em cinco partes, no que seria uma das primeiras empreitadas da editora no formato.

Círculo de Sangue, assinado por Grant e Mike Zeck, e publicado no Brasil em Superaventuras Marvel #74,75,76,77 e 78 (1988), mostra o Justiceiro lutando contra criminosos na cadeia e nas ruas, enquanto flerta com uma misteriosa organização que parece ter os mesmos interesses que ele. Mais relevante que isso, a série completaria últimas as lacunas da história do Justiceiro, elencando Retalho como seu arqui-inimigo definitivo e finalmente lhe dando o nome de Frank Castle.

Dada sua aposta certeira em um decadente coadjuvante dos anos 1970, não pode ser mais que coincidência que o personagem acabasse ganhando o primeiro nome do autor que o resgatou do esquecimento e que acabou criando o nicho de mercado onde o Justiceiro pode florescer.

Com o inesperado sucesso de Círculo de Sangue, os chefões da Marvel não demorariam muito para encomendar um título próprio para o personagem, quase 14 anos depois de ter enfrentado o Homem-Aranha pela primeira vez.

Já estrela de uma revista mensal, que perdura até hoje, o Justiceiro se tornaria um dos mais ilustres personagens urbanos da Marvel Comics, fazendo participações em praticamente todos grandes títulos da editora, principalmente ao lado de heróis solo como o Aranha, o Demolidor e Wolverine. Mesmo com seus altos e baixos, passariam pelo título nomes de peso como Garth Ennis e o personagem ganharia três longa-metragens com seu nome, em 1989, 2004 e 2008, antes de entrar em definitivo para o Universo Cinematográfico da Marvel nesta temporada de Demolidor.

Mas isso é assunto para outro dia. A luta continua.

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