Entrevista | Erick Endres fala da carreira e sobre o lançamento do EP [falling]

(foto Raul Krebs)

(foto Raul Krebs)

Aos 19 anos, não dá para dizer que Erick Endres é um artista promissor. Isso, dizíamos quando eventualmente subia no palco durante os shows da Comunidade Nin-Jitsu, ainda pré-adolescente, para tocar guitarra e já impressionar, ao lado do pai Fredi e do tio Nando.

Nesta última semana, o jovem, e não mais só guitarrista, lançou seu novo trabalho. Em parceria com o selo Loop Discos, já está disponível em todas as plataformas digitais o EP [falling]. Com quatro faixas, o trabalho tem composições em inglês, português e francês, e precede outros dois EPs que serão lançados até o final do ano, só para então culminar no segundo álbum de sua carreira.

Em [falling] tudo o que ouvimos é Erick Endres, exceto a bateria de uma das músicas. “Em casa componho, coloco pra fora o que quero dizer, o que estou sentindo e me aventuro em arranjos, timbres, instrumentos que não domino tão bem, tudo em prol da composição”, nos contou ele, que também toca guitarra nos projetos Endres Experience, banda tributo a Jimi Hendrix, e na nova Arthur de Faria & Orkestra do Kaos.

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Culturíssima: Artisticamente, por que essa opção de lançar três EPs na sequência para então culminar em um álbum?

Erick Endres: Eu acredito que as pessoas estejam consumindo cada vez menos álbuns, discos, trabalhos de uma hora. Ninguém tem tempo de ouvir um álbum de uma hora. Mas também pelo fato de que um álbum nada mais é do que uma coleção de figurinhas, né? Sendo as figurinhas os EPs.

O teu primeiro trabalho não saiu em disco físico. Você pretende lançar os EPs ou o álbum em mídia física?

Não, não saiu. Os EPs, não pretendo lançar em formato físico. Mas o álbum sim. Principalmente por eu ter um carinho por formatos físicos.

É comum artistas de qualquer nacionalidade cantar e compor em inglês. Chama atenção, entretanto, que há uma canção em francês nesse teu novo trabalho. Você busca alguma influência na música francesa? Qual a história dessa canção?

Essa música tem uma historia engraçada, porque, na verdade, ela está no primeiro disco também (Mars, faixa 08). Mas é muito complicada de tocar ao vivo, então bolei essa versão jazz francês. A língua se deve ao fato de que aos 11 anos passei um ano na França, onde minha vó mora, indo a escola e absorvendo bastante da cultura do interior do país. Ouvi muito jazz manouche, como eles chamam. Django Reinhardt e Bireli Lagrene.

Você gravou todos os instrumentos, exceto uma bateria. Como você está planejando levar esse trabalho para os palcos?

Desde quando saiu meu primeiro disco, montei uma banda com amigos (que já teve também o Pedro Petracco, da Cartolas, meu pai no baixo e meu tio Nando Endres tocando guitarra e teclado). Agora, quem toca comigo são amigos e parceiros de outras bandas. Bruno Bernardo na bateria, Lorenzo Flach guitarra e teclado e Naum Gallo no baixo. Enquanto eu toco guitarra e canto.

A gente acompanha desde muito cedo você tocando guitarra com o teu pai. A partir dos teus 15 ou 16 anos, já começava a receber super elogios, de músicos e jornalistas, destacando teu talento com a guitarra e, depois, com o teu primeiro álbum de uma forma geral. Como você processou isso tudo e encara hoje em dia esses elogios?

Fico muito honrado e agradecido sempre que me elogiam seja em publico ou não, mas lido de uma forma muito natural. Não entendi se a pergunta foi se me sinto pressionado, ou com algum peso em cima disso, mas não, não sinto. Acho que até pelo fato de estar desde bem novo no palco.

Não há uma identidade que a gente possa indicar uma regionalidade ao teu trabalho, como, por exemplo, chamá-lo de “rock gaúcho”. O que você pensa à respeito dessas fronteiras artísticas e onde você imagina que tua música pode chegar?

Eu acho que cada vez temos menos fronteiras em relação a arte. Na verdade, não vejo fronteiras. Componho em inglês porque me vem em inglês, em francês quando vem em francês, em português quando vem em português. O conceito de rock gaúcho vejo mais pela região do que propriamente o estilo. Então se quiser chamar de rock gaúcho ok, apesar de não gostar muito dessa rotulação. Vejo a minha musica como global, estou em Porto Alegre porque nasci aqui, minha família e meus amigos estão aqui. Nacionalidade é detalhe, o mundo é muito grande e é nele que eu quero estar.

Na nova banda do experiente Arthur de Faria.

Na nova banda do experiente Arthur de Faria.

Aliás, que referências fora do rock você acha que te influenciam mais?

Sou muito eclético pra ouvir música. Mas acho que o que mais me influencia fora o rock, e suas várias vertentes, é o jazz. Eu ouvia e costumava tocar mais música clássica há um tempinho, estudei violão clássico por um ano. Agora estou bastante no jazz, fusion principalmente.

O que você pensa sobre estar no palco, tocando ao vivo para o público e estar no estúdio, produzindo, compondo e tocando vários instrumentos? Você tem preferência sobre alguma dessas experiências?

A música é uma forma de expressão bem complexa e a minha principal forma de expressão, prefiro muito fazer uma música do que textão no facebook. Então todas as formas de eu colocar pra fora a minha música eu gosto e me empenho. Em casa componho, coloco pra fora o que quero dizer, o que estou sentindo e me aventuro em arranjos, timbres, instrumentos que não domino tão bem, tudo em prol da composição. No palco é o momento da explosão, momento de gritar, arrebentar corda, extravasar. Me sinto tão bem no palco quanto no meu quarto.

Além do EP, a parceria com a Loop vem junto com outros projetos. Artisticamente, você tem vontade de fazer algo a mais do que música, produzir outro tipo de arte? Que projetos são esses?

Eu gosto de todo o tipo de arte e até me aventuro em outras coisas. Gosto de desenhar/pintar, e tenho muita vontade de fazer algo com cinema. Mas isso, e as poesias que não viram musicas, por enquanto são só pra mim.

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  • 28 DE MARÇO NOS CINEMAS