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Festival Poa Rock traz boas novidades com bênção da velha guarda e público reduzido

Fotos: Alex Vitola

Festival Poa Rock apresenta oito novas bandas de muita qualidade para público reduzido no Araújo Vianna. Os novos grupos foram apadrinhados por ícones da cena local, que também se apresentaram no domingo do dia primeiro de julho de 2018.

Adrielle Gauer

A primeira edição do Festival Poa Rock foi um ato de muita resistência. Sem nenhum tipo de patrocínio ou lei de incentivo, a iniciativa de Pedro Loss e Mário Marmo ocupou apenas metade do Araújo Vianna. Contudo, os presentes mostraram-se bastante pacientes para ouvir os bebês do rock gaúcho e muito empolgados quando os dinossauros entravam em cena. A nostalgia da banda Histórias do Rock Gaúcho e os representativos shows de Taranatiriça, Tenente Cascavel e De Falla deram sentido ao evento juntamente com as novas bandas, que mostraram, de fato, que continua a se fazer rock por aqui.

Tchê Gomes (TNT)

O início dos shows foi atrasado em cerca de uma hora, à espera do público que não veio. Por volta das quatro horas da tarde Carina Gertz e Pedro subiram ao palco para anunciar a primeira banda, Matéria Plástica, uma das oitos escolhidas através de edital para gravar o álbum coletivo que estava sendo lançado no domingo, dia 01 de julho. De qualidade incontestável, cada um dos novos grupos era apadrinhado por um dinossauro, o primeiro a se apresentar foi Júlio Reny, que mesmo tendo sua desenvoltura prejudicada pela catarata em estágio avançado surge como um oásis, uma esperança em meio a fragilidade do início do festival para tocar, cantar e fazer vibrar com “Não Chores Lola” e “Amor e Morte”. Uma apresentação impecável, mas curta, que deixa um gostinho de quero mais.

Júlio Reny (Cowboys Espirituais)

As apresentações sucedem-se assim, o fechamento do show de cada boa novidade vem com o arrebatadora presença de uma lenda do rock. Por volta das seis da tarde o Taranatiriça sobe ao palco e Alemão Ronaldo que um pouco mais tarde também participaria do show de Histórias do Rock Gaúcho adianta o anúncio do segundo Poa Rock ainda para este ano. A organização faz algumas homenagens a personalidades dos bastidores da cena, incluindo Cida Pimentel, que entra fumando no palco e sai dizendo: “Vamos transgredir um pouco que a caretice tá grande”.

Biba Meira (Urubu Rei e De Falla), uma das melhores bateristas brasileiras, madrinha de Adrielle Gauler, uma das oito bandas do álbum coletivo lançado pela marca Poa Rock.

Festival Poa Rock pela sobrevivência do rock gaúcho

Taranatiriça

O fim do rock é profetizado desde o fim dos Beatles (70), da morte de Elvis (77) e mais modernamente, da mudança de Lobão para São Paulo (08), quando o músico atribuiu à capital carioca o título de “túmulo do rock”, rótulo reconhecido por público, crítica e principalmente pelos músicos, especialmente os novos. Em Porto Alegre, na primeira década do milênio ainda existiam pequenas e até mesmo algumas das tradicionais casas de shows que lançaram as primeiras bandas gaúchas, espaços importantes para quem estava começando como Efervescentes, Superguidis, Severo em Marcha e Identidade, bandas que formavam uma cena sólida a ponto de tornar qualquer prenúncio de morte do rock uma visão alarmista ou mesmo louca. Há dez anos atrás, pelo menos aqui no Estado, era impensável dizer que o rock estava à beira da morte.

King Jim (Garotos da Rua) em participação especial no show de Júlio Reny e os Irish Boys

Se lembrarmos que nem mesmo shows internacionais de bandas clássicas não causam a mesma mobilização de tempos atrás, é fácil entender a baixa adesão ao Poa Rock de julho de 2018. Apesar da qualidade das oito bandas selecionadas pelo Poa Rock (Le Batilli, O Mensageiro, Quem é você Alice?, Radio Russa, Adrielle Gauer, Matéria Plástica, Jota Emme Electroacústico e Piratas do Porto), a primeira edição do Festival mostrou que o caminho de recuperação do rock por aqui é longo, mas possível, a julgar pelo menos pelos outros 60 grupos que mantêm vivo o estilo e tiveram a iniciativa de participar do edital para tentar gravar o seu trabalho.

Frank Jorge (Os Cascavelletes, Graforreia Xilarmônica, Cowboys Espirituais e Tenente Cascavel)

A inquestionável vitalidade e poder de ressuscitação do rock gaúcho foi comprovada com a entrada no palco da Tenente Cascavel, depois das dez horas da noite. A banda é resultado da fusão entre TNT e Cascavelettes, dois ícones top of mind do rock gaúcho, por onde passaram quase todos os mitos roqueiros, seja como integrantes oficiais, músicos convidados ou até mesmo nos bastidores de produção, levando os dois grupos a atingir uma sonoridade bastante similar e que para efeitos gerais pode ser considerada síntese do estilo por aqui. Somente uma banda com essa representatividade seria capaz de fazer a plateia literalmente levantar dos inconvenientes assentos do Araújo Vianna depois de mais de quatro horas de festival para dançar em um daqueles shows que fazem você olhar para as poucas pessoas que ainda permanecem sentadas e ter vontade de perguntar: tu consegue assistir a esse show sentado?

Egisto dal Santo e Alemão Ronaldo

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