• Casal Improvável

Resenhas Oscar 2019 | Homem-Aranha no Aranhaverso

Por Luiz Paulo Teló para o Especial Oscar 2019

O filme Homem-Aranha no Aranhaverso tem tudo pra ser um divisor de águas no cinema de animação. A aventura cheira a novidade, impacta por seu estilo e personalidade e apresenta ao grande público o personagem Miles Morales, um jovem novaiorquino  negro de ascendência hispânica que, como Peter Parker, ganha seus poderes após ser picado por uma aranha geneticamente modificada. Dessa forma, Miles assume a identidade do Homem-Aranha. O filme está indicado ao Oscar de Melhor Animação e concorre com nomes poderosos, como Os Incríveis 2, da Pixar.

O personagem foi criado para os quadrinhos em meados de 2011 pelo escritor Brian Michael Bendis e o desenhista Sara Pichelli. A inspiração era o então presidente americano Barak Obama e o ator Donald Glover, que chegou a ser cotado para viver o herói quando a Sony recontou a história do Aranha no cinema sob a direção de Mark Webb, em 2012. Miles Morales aparece como Homem-Aranha em um universo paralelo, mas hoje já está incorporado às histórias regulares da Marvel.

Mas afinal, o que Homem-Aranha no Aranhaverso tem de especial? Na realidade, são vários fatores que acabam se completando. Em época que clama-se por representatividade, levar Miles Morales para o cinema tem um peso enorme e este é sem dúvida um fator. Dirigido pelo trio Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman, o filme tem coração. Isso está na relação dele com a sua família, principalmente seu pai e seu tio, e também na forte presença da cultura hip-hop. Embora esse seja um aspecto tecnicamente difícil de explicar, o fã de Homem-Aranha entende que ali tem o espírito que define o herói, seja ele Peter Parker, Morales ou qualquer um dos outros cinco Aranhas do filme.

Sim, são cinco. E eles são apresentados dentro de um contexto de multiverso, ou seja, cada um deles vem para a Nova York do Miles devido a um experimento de Wilson Fisk, o Rei do Crime. O vilão quer acessar realidades paralelas, e consegue. E tudo isso poderia ser muito confuso. Mas aí entra mais um aspecto fundamental da animação, o roteiro e a produção, que tem os excelentes Phil Lord e Chris Miller. A trama é linear, tem ótimo humor e posiciona o “novo” Homem-Aranha como um protagonista capaz de entregar aquilo que se espera de um filme de super-herói.

Homem-Aranha no Aranhaverso vence a bolha do nicho porque tem uma ótima história, que é bem contada e que apresenta um tipo de animação diferente daquilo que estamos acostumados a ver no mainstream. Se parece muito com quadrinhos, bebe direto da fonte, mas usa de forma inteligente o 3D e mistura texturas quando os Aranhas de outras realidades interagem. É de encher os olhos. O filme ganhou todas as premiações até então, e me parece o favorito para levar o Oscar este ano.

Já para quem é da bolha, vibra a cada novo filme da Marvel e chorou a recente morte de Stan Lee, a animação é uma montanha-russa de emoções. Há pelo menos dois momentos super delicados, em que os diretores mostram uma sensibilidade apuradíssima para tratar aqueles personagens. É de botar nerd velho pra chorar.

Nota: 8.5

Concorre nas categorias: Melhor Animação.

Prováveis estatuetas: Melhor Animação.

Luiz Paulo Teló é fundador e editor do site Culturíssima. Escreve em blogs e portais sobre política, cultura e futebol desde 2008. Já trabalhou na Rádio Grenal e na equipe de comunicação da prefeitura de Porto Alegre durante a Copa do Mundo. No Culturíssima já assinou mais de 60 entrevistas.

Adicionar a favoritos link permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Deslembro