Entrevista | Trocamos uns e-mails com Otávio Albuquerque, o Tavião

Reprodução Instagram (foto: Jessica LIAR)

Reprodução Instagram (foto: Jessica LIAR)

Luiz Paulo Teló

Se você consome conteúdo no Youtube, certamente conhece Otávio Albuquerque, o Tavião. O cara que, junto do amigo PC Siqueira, faz o canal Rolê Gourmet. Aliás, ao contrário do nome, tudo o que não há no trampo deles é comida gourmet. Na maioria da vezes, são receitas fáceis, simples e, provavelmente, pouco saudáveis: “Se vai dar certo, ou errado, tanto faz! O que importa é cozinhar com fome, com um amigo e, se der, com uns bons drinques pra acompanhar”, diz a descrição do canal, que já conta com mais de 1 milhão de inscritos.

Otávio é formado em Ciências Sociais e, entre outras coisas, até ter sua vida mudada com o sucesso do Rolê, que começou em 2012, trabalhou por sete anos como tradutor de livros. Morar sozinho, e trabalhar muito em casa, ajudaram a desenvolver seu gosto pela culinária. Mas se tornar um cozinheiro profissional nunca parece ter sido uma vontade, de fato.

Nos últimos dias, trocamos alguns e-mails com o Tavião. Ele contou algumas coisas, tipo como se tornou o primeiro diretor no Brasil da network global Tastemade e, assim, impulsionou o boom dos canais de culinária na internet brasileira. Também falou do projeto solo, Coisas Que Nunca Vivi (ou evitava viver), e do trabalho que desenvolve o Youtube Space, em São Paulo.

Culturíssima: Você já fez muitas coisas antes de ficar conhecido por causa da culinária e do Youtube. De onde vem essa tua afinidade com a cozinha?

Otávio Albuquerque: Sempre gostei de cozinhar, mas mais porque gostava de comer mesmo. Nunca tive isso de história de cozinhar com a família nem nada. Foi a fome e a necessidade de morar sozinho que me fizeram me aprimorar mesmo!

Me parece que o lance ali do Rolê Gourmet é muito mais o evento de estar ali cozinhando e conversando do que propriamente o prato que vai ser feito. É isso mesmo? Como surgiu a ideia do Rolê?

O Rolê é sim, totalmente algo mais pela viagem do que pelo destino. O canal surgiu da ideia de começar a gravar algo que a gente já sempre fazia – ir na casa do PC, preparar um rango, tomar umas e falar besteira. Foi algo bem natural.

O Rolê não tem uma periodicidade muito definida. Às vezes fica até um tempo sem vídeos novos. Hoje ele é muito mais um hobby teu e do PC do que uma fonte de renda, como são outros trampos no próprio Youtube?

A falta de periodicidade infelizmente vem da nossa agenda bastante complicada mesmo. Não é um hobby, é nossa maior fonte de renda. O Coisas Que Nunca Vivi também tem um conceito difícil de manter com a periodicidade que eu gostaria, mas já vem sendo trabalhado muito bem com marcas. Acredito que meu foco hoje seja em trabalhar minha marca na internet de forma geral, não especificamente em um canal ou rede específica, tentando equilibrar todas as coisas que gostaria de fazer e o tempo, que é o maior fator limitante de tudo!

Hoje você participa de eventos e programas de TV relacionados à culinária, muitas vezes como jurado. Você imaginava que se tornaria respeitado no meio, mesmo não sendo um chef ou um cozinheiro de fato? Como você encara esse papel?

Não acredito que seja exatamente respeitado no meio [risos],  mas a galera tem um carinho bacana. Acabei fazendo muitos amigos chefs e cozinheiros, e muitas vezes quando vou a um restaurante, o pessoal me conhece e me recebe muito bem. Admiro e respeito muito a profissão. Hoje já não me interesso muito mais por cozinhar, mas sou fascinado pela história, cultura e tudo o que é legal à culinária, então poder conversar com pessoas que realmente entendem disso e ser bem recebido nesse mundo é muito bacana.

Como foi o trabalho que desenvolveu na Testemade e como eles chegaram até você?

Fui responsável pela Tastemade no Brasil por coisa de dois anos, chegando a gerenciar mais de 50 canais do nicho por aqui. Entrei em contato com eles quando o Rolê estava começando e a startup também estava dando seus primeiros passos em Los Angeles. O momento foi fortuito. Fomos convidados a princípio como criadores, para produzir nos estúdios deles por lá, e acabei sendo chamado para trabalhar como diretor regional deles, pelo trabalho que já vinha desenvolvendo de tentar unir e otimizar os canais de culinária brasileiros.

Tem um vídeo no canal Coisas que Nunca Vivi, em que comenta sobre teu trabalho no Google e como isso desperta curiosidade das pessoas. Então, Otávio, como é trabalhar para o Youtube e o que você faz exatamente?

É fantástico trabalhar no YouTube, é muito legal poder ver esse outro lado da plataforma. Eu sou o responsável pela programação do YouTube Space, cuidando do currículo educacional, os programas de produção e as atividades de conexão que acontecem por lá.

Em profissões “comuns” (assim digamos), como engenheiro, por exemplo, é possível projetar o que vai estar fazendo daqui a algum tempo. Como produtor de conteúdo, o que você imagina estar fazendo daqui a 15 anos?Acha que o Youtube, como plataforma, vai abrigar e potencializar esse número de realizadores como atualmente faz?

Qualquer pessoa que diga o que imagina para o YouTube ou para a internet daqui 15 anos está dando, no máximo, um grande chute. E essa é a coisa fantástica do momento que a gente vive. Tudo pode acontecer e as possibilidades abertas à nossa frente são infinitas. Acredito que o YouTube ainda tenha um potencial imenso a ser explorado – a plataforma acabou de completar 10 anos. Ainda está engatinhando se comparada a outras mídias. Sou muito otimista com o futuro, e estou empolgado para acompanhar e tentar aproveitar da melhor forma possível todas essas mudanças.

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