Resenha: “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”

birdman

Luiz Paulo Teló

O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu dificilmente erra. A sua filmografia (21 Gramas, Babel, Biutiful) já é de admirável relevância ao cinema comercial produzido a partir dos anos 2000. Ganhador de categorias importantes do Oscar 2015, inclusive as de melhor filme e diretor, Birdman pode até não ser seu melhor trabalho, mas é certamente o mais ousado. O drama é dotado de humor negro, sugere um grande plano-sequência de quase duas horas e é um exercício refinado de metalinguagem.

O filme segue Riggan Thomson (Michael Keaton) no palco e nos bastidores de um teatro da Broadway, em Nova Iorque, dias antes de estrear a peça em que dirige e atua. Ele aposta todas suas fichas nesse trabalho para retomar o prestígio e o sucesso que tinha há 20 anos, quando viveu no cinema o herói Birdman, em uma exitosa adaptação dos quadrinhos para as telonas. Thomson se sente pressionado e, inseguro, quer provar a todo o custo ser um ator capaz de fazer algo além de um blockbuster.

Quase tudo em Birdman é metalinguagem, ilusão ou provocação. A começar pelo protagonista. Michael Keaton foi o Batman nos filmes de Tim Burton, no início da década de 1990. De lá pra cá nunca mais conseguiu fazer papeis de relevância no cinema. O filme de Iñárritu é um retorno e tanto, trazendo uma atuação realmente marcante e o tornando um dos nomes favoritos ao Oscar de melhor ator, prêmio que acabou não vencendo. Da mesma forma Edward Norton e Emma Stone, que fazem personagens essenciais para a trama, já frequentaram o universo das adaptações. Norton já foi Hulk, enquanto a linda Stone foi Gwen Stacy em dois filmes do Homem-Aranha.

Birdman lembra muito o ótimo Cisne Negro, sobretudo quando o pressionado Riggan Thomson passa a ter alucinações. O perturbado ator não consegue se livrar da sombra sempre presente do herói do passado, que frequentemente conversa e cobra atitudes como se fosse um alter ego de vida própria. De forma sutil, contudo, o diretor consegue sempre deixar uma dúvida quanto ao que é alucinação e o que é real.

O texto, acompanhado de um trabalho primoroso (e ousado) de montagem, de fotografia, trilha sonora e, claro, de atuações, estabelece um tom crítico à industria hollywoodiana com seus filmes (na opinião de Iñárritu) vazios, mas cheios de explosões, efeitos especiais e atores ruins. Ironicamente, e propositalmente, Birdman surge no auge dos filmes de super-heróis.

Sobre o desfecho, sem spoiler, só posso dizer que cabe mais de uma interpretação. Contudo, todas elas são muito interessante e não diminuem o valor da obra deste baita cineasta mexicano que é o Alejandro González Iñárritu.

Gênero: Drama

Duração: 119 min.

Origem: EUA

Direção: Alejandro González Iñárritu

Roteiro: Iñárritu, Alexander Dinelaris, Armando Bo, Nicolás Giacobone

Distribuidora: Fox Film Brasil

Censura: 16 anos

Ano: 2014

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