Resenha | Taylor Swift Verdadeiramente Viva (mesmo sem reputação)

Em show lançado na virada do ano pela Netflix, Taylor Swift mostra a cultura que nos faz sonhar e nos incita a permitir que nosso coração seja quebrável.

Algo que poucas pessoas notaram nessa passagem de ano, a menos é claro, quem é fã, foi o show da Taylor Swift na Netflix. Liberado pelo site na noite do dia 31 para o dia 01, enquanto a Globo passava seu tradicional “Show da Virada”, a Reputation Stadium Tour não chamou lá muito a atenção dos aficcionados por séries, público cativo do canal de streaming. Em vez de liberarem mais uma temporada de “sei lá qualquer coisa”, eles resolveram dar boas vindas ao novo ano com um conto de fadas.

A apresentação da Reputation Stadium Tour é um daqueles megashows de pop apresentados apenas por profissionais como Michael Jackson, Justin Timberlake ou.. Madonna. Ah! Madonna! Todo mundo lembra quando começaram a comparar Justin com Michael deixando os fãs deste irritados e daquele lisonjeados? Em seu primeiro clipe na MTV Taylor Swift aparecia tocando guitarra numa versão meio emo, meio princesa. Uma tentativa forçada de inserir a cantora no showbusiness como uma espécie de nova Avril Lavigne, que de tão bem feita quase dava pra acreditar. Depois disso Taylor construiu sua carreira pulando entre diversos gêneros musicais para posar de artista versátil, caprichou nas loucuras em sua vida particular trazendo sempre os holofotes para si e se tornando a queridinha dos tablóides, e, o mais importante, emplacou hit após hit, canções direcionadas especialmente ao megalomaníaco público adolescente norte-americano.

Mas no fundo de tudo isso, não importa a variedade de gêneros, ritmos ou parceiras feitas por ela, Taylor sempre foi uma artista pop. Em Reputation Stadium Tour ela chega, talvez, no auge de sua carreira, fazendo shows em estádios imensos, com produções gigantescas, assim como.. Madonna! Ícones serão sempre ícones e nunca perderão sua majestade, mas é preciso reparar que esses novos pequenos grandes artistas tem algo a mostrar. Um mundo de entretenimento, luzes, câmera e ação, como todo norte-americano gosta.

A montagem de Bad Reputation Stadium Tour não tem nada de mais na verdade. É um apanhado de coisas que todo mundo já fez na indústria da música pop. Os telões gigantescos, as projeções, as roupas, os bailarinos, a iluminação, a cenografia, tudo igual, até a coreografia tem dezenas de passos pra lá de manjados, e não esqueçamos o tradicional número de voar sobre a plateia, tudo igual, nada original. Algumas vezes inclusive é possível mesmo duvidar se Taylor está cantando de verdade ou se é tudo um enorme playback.

Mas na verdade nada disso interessa. O show é sim a verdadeira expressão da indústria da manipulação através do encantamento. Um bando de luzes para ofuscar sua visão do que realmente importa, para fazer você esquecer do seu dia a dia. Mas isso não é bom? Se deixar pelo menos uma vez na vida ser levado pelo “sonho americano”, imaginar que a vida poderia ser um verdadeiro conto de fadas e lembrar que ela era assim, lá atrás, quando éramos adolescentes, quando o amor estava acima de tudo, quando não tínhamos tantos compromissos, tantas responsabilidades, quando não chegávamos em casa com a cabeça latejando de tanto funcionar. Não era bom? E não seria melhor ainda se nos permitíssemos isso todos os dias? Por pelo menos, sei lá, duas horas por dia. Não pensar em nada realmente importante. Esquecer toda a nossa vida adulta e buscar o entretenimento pelo entretenimento, não com o propósito de elevar o intelecto, mas de descansar a alma e de dilatar o coração. Aí não importa se é playback, se é a menininha estereótipo do sonho americano.. apenas aproveite, por que mesmo que você não se lembre, no fundo no fundo, nem que seja quase achando petróleo, você ainda guarda a ingenuidade dos velhos tempos, que faz tanta falta no mundo corporativo de hoje e que seria tão bom se cada um de nós deixasse aflorar, nem que fosse por apenas duas horas do dia.

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  • 28 DE MARÇO NOS CINEMAS