Olhares sobre Porto Alegre

Na noite 29 de janeiro, Porto Alegre foi atingida por um temporal que causou estragos poucas vezes vistos por seus moradores. Depois de vários dias com boa parte da cidade sem luz, sem abastecimento de água, sinaleiras desativadas e ruas bloqueadas por quedas de árvores, reacendeu-se o velho debate sobre os rumos que a capital gaúcha está tornando.

Aproveitamos para buscar em nossos breves arquivos as impressões que nossos entrevistados em 2015 têm sobre Porto Alegre. Confira:

Nei Lisboa

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“É um momento difícil para todo mundo, na economia, então você olha e as pessoas estão um pouco mais tristes, mais fechadas, não se tem recurso para nada na área da cultura. Mas isto que estou dizendo é o óbvio. Não consigo mais falar da cidade, estou tão entranhado, envelhecendo dentro dela… Mas ela me parece meio descuidada. Já vi a Redenção melhor cuidada, já vi a cidade mais alegre.”
(Leia a entrevista na íntegra aqui)

Humberto Gessinger

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“A noção de centro geográfico é cada vez menos relevante. Porto Alegre tem singularidades devido à maneira centralizada como a informação circula por aqui. Mas estes muros me parecem também estar caindo.”
(Leia a entrevista na íntegra aqui)

Rafael Guimaraens

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“Acompanhei um período recente da história de Porto Alegre em que eu e muitas pessoas ficamos muito eufóricos com os processos que aconteciam aqui. A partir da proposta de democratização do orçamento, de uma série de coisas que estavam sendo feitas e que a população adquiria certo protagonismo, fiquei muito entusiasmado com isso. Porto Alegre foi sede do Fórum Social Mundial, vinha um monte de gente pra cá, curiosas para conhecer a cidade. (…) E me surpreendo como isso criou uma euforia que de certa forma murchou. A passividade voltou a tomar conta das pessoas a partir de um processo tão intenso que era, e se tornou de novo uma pasmaceira, como se tivéssemos em uma quarta-feira de cinzas bem triste.”
(Leia a entrevista na íntegra aqui)

Katia Suman

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“A EPTC é um feudo atrasado e suas diretrizes não estão em sintonia com as novas tendências urbanísticas e da mobilidade urbana e sustentável. Os investimentos são feitos de forma impositiva, sem diálogo e são extremamente ruins para a cidade. O ridículo viaduto de dois andares que custou 79 milhões e foi inaugurado no aniversário da cidade é um exemplo disso. O tal binário, imposto à cidade para atender às demandas do shopping Praia de Belas, sem sequer uma ciclovia para compensar o estrago é outro exemplo recente. Agora apresentaram um plano para recuperar a rua da Praia. Sem um elemento de paisagismo e de novo sem ciclovia! Uma ciclovia na rua da Praia, ligando a Independência ao Gasômetro, seria um modal interessante, traria fluxo constante à rua que em certos horários fica deserta. Mas a EPTC só pensa em carros.”
(Leia a entrevista na íntegra aqui)

Carol Bensimon

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“A gente ainda segue esse modelo anos 70. Esse ano a gente viu surgir aquele viaduto na Bento Gonçalves. Estava vendo no jornal que aquele outro viaduto na Pinheiro Borda, que foi construído pra Copa, está sendo reestruturado porque tem mil problemas, e quando tu passa ali já parece uma coisa tão decadente. Um viaduto degrada todo um entorno, não é possível que não tenham percebido isso ainda. Aí vejo cidades, mesmo no Brasil, que já estão seguindo uma outra estratégia. Então é meio frustrante. Tem uma ONG internacional, que lida com questões de transporte público, que é sediada em Porto Alegre, chama EMBARQ, mas que não conseguiu estabelecer diálogo com a Prefeitura, então faz trabalhos para outras cidades brasileiras.”
(Leia a entrevista na íntegra aqui)

Daniel Drexler

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“Tenho muitos amigos aqui. Virou um problema, porque eu chego na cidade e não sei como receber todo mundo. (…) O Rio Grande do Sul foi uma descoberta de poucos anos. Quando eu viajava para o Brasil tentava passar rápido pelo RS para chegar nas praias de Santa Catarina. Pra mim era engraçado encontrar gente tomando chimarrão, vestido de gaucho e falando português. O arquétipo que eu tinha do brasileiro não era esse. A partir do momento que comecei a descobrir o Rio Grande do Sul, foi uma sensação estranha, passei a compreender melhor porque nós uruguaios somos como somos. Somos bem uma mistura de gauchos e portenhos.”
(Leia a entrevista na íntegra aqui)

Nasi

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“Cidades como São Paulo e Porto Alegre têm uma cultura urbana muito própria, que sempre ficou meio fechado em uma coisa de gueto. É diferente de Rio e Salvador, cidades que são cantadas pelo Brasil inteiro e festejadas. O porto-alegrense e o paulistano têm essa coisa de amar a urbanidade, já que não temos a natureza, temos as ruas, os botecos, as histórias, as marginalidades, as periferias. Acho que o Ira! tem isso, e tem a ver com essa nossa proximidade com Porto Alegre.”
(Leia a entrevista na íntegra aqui)

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